No momento não existe nada pra resgatar e muito pouco para ferir.
Foi dito tudo o que existia,
Tentamos reconstruir mas ficou muito claro a fraqueza das bases, a insegurança do solo.

O amor que existia ainda está lá, mas em vez daquele sentimento de preenchimento, existe um vazio eterno.
Uma sensação de ausência, de falta, de necessidade.
Coisas que só quem amou de verdade poderia entender. 

É difícil compreender se o que existe realmente é o amor ou o vazio pela falta dele. Como uma marca de pegada no solo, que lembra e demonstra o formato mas que não possui nem o sapato, nem o peso e portanto nunca ficará mais funda.
Ficará lá, ao sol, chuva, vento. Com o tempo restarão apenas migalhas e lembranças fotográficas.

Este é o amor oco, a falta de um amor que existiu e deixou seu espaço.
A lacuna que foi talhada para alguém mas que agora está vazia.
Uma marca que não foi desenhada, mas sim impressa com força, pressão, tempo e calor.

Um molde das tuas qualidades, defeitos, percepções, angústias, sonhos.
Momentos, movimento, compreensão.
Um plano tão perfeito que te replica em minha memória, constantemente, me fazendo sentir dor, raiva, decepção e saudade.

Não pela sua existência, ou pelos teus atos, mas sim pela simples ausência.
Este espaço, o vazio, oco, etéreo e intangível só pode ser preenchido por um.
Foi feito por mim para ti e por ti.
Somente para ti.

Vai demorar muito tempo para que alguém consiga ter tanta força para moldar novamente um espaço no meu coração.
Cada vez que isso ocorre, fico mais duro e resistente.
Cada vez mais o vazio incomoda menos.

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