Percebeu a luz.A luz ia e voltava. Ciclos diários. Não podia contar para saber quantos haviam se passado e nem pensava em quantos passariam;Durante os dias, agitava-se. Percebia sombras ocultas na parede perfeitamente redonda. As sombras investiam com velocidade pela parte de fora de sua morada.Sentia movimentos suaves e leveza, sentia pesar mas não entendia o motivo daquela tristeza.Cada vez mais a luz se tornava mais forte através das paredes finas.Seu corpo estava inchado, mal conseguia se mover…Sentia-se oprimida… Mais ciclos, frio, calor…Novas investidas, mais leveza, mais luz, mais espaço.Em um momento, sentiu um movimento ágil impossível de ser descrito. Escuridão permanente. Ruídos ritmados, um pulsar incontrolável.As paredes começavam a dissolver. Sentiu dor pela primeira e última vez. Viu de relance globos brancos se dissolvendo ao seu redor… Instantes. Logo seus olhos também foram dissolvidos.A dor parou. Ela nunca mais percebeu nada.(Antes | Naiade – Concepção) (Continua | Naiade – fome)